Como encontrar profissionais de saúde que respeitam pessoas trans

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Você já saiu de uma consulta se sentindo menor do que entrou? Pois é, isso é mais comum do que deveria.

Encontrar profissionais de saúde que respeitem sua identidade não deveria ser uma missão de risco. Mas, para pessoas trans, travestis e gênero diverso, por vezes é.

O resultado? Muitas pessoas deixam de ir ao médico. Evitam unidades de saúde. Adiam exames. 

Preferem ficar sem atendimento a passar por mais uma situação de humilhação. É uma resposta razoável a um sistema que falha com frequência em oferecer um atendimento digno.

A pergunta que fica é: como encontrar profissionais de saúde que te respeitem?

Aqui você vai aprender: (1) como identificar bons profissionais, (2) porque a comunidade é sua melhor aliada, e (3) o que fazer se algo der errado.

Por que é tão difícil encontrar profissionais preparados?

Em grupos de apoio, é comum relatos parecidos como: “Fui ao endócrino e ele me perguntou se eu tinha certeza que queria ser mulher.” Ou: “A recepcionista me chamou pelo pronome errado na sala de espera.”

Isso acontece porque as formações em saúde no Brasil ainda são, em grande parte, pensadas para um paciente genérico. Não contemplam a diversidade de corpos e de gênero.

Muitas instituições formam profissionais sem informações sobre transição de gênero, terapia hormonal (TH) ou mesmo sobre como abordar pessoas trans com respeito.

A consequência? Perguntas invasivas, julgamento, recusa em usar o nome social e, em casos mais graves, atendimento negado. A transfobia estrutural atravessa o sistema de saúde assim como atravessa o resto da sociedade.

A boa notícia é que isso está mudando.

Cada vez mais instituições e profissionais de saúde estão se atualizando e adotando uma abordagem afirmativa, que reconhece e legitima a identidade de pessoas trans.

Cinco sinais de um atendimento inclusivo e atualizado

Então, como identificar quem realmente está do seu lado? Preste atenção nestes 5 sinais:

  • Começa pelo nome e pronomes. Um atendimento respeitoso começa pela pergunta sobre como você prefere que te chamem. Isso deve incluir a recepção, formulários, agendamento e todos os pontos de contato antes da consulta, durante e depois.
  • Consentimento informado. A equipe explica opções, riscos e benefícios, e deixa a decisão com você. Desconfie de quem age como fiscal ou exige laudos e avaliações psicológicas como pré-requisito.
  • Faz perguntas relevantes e não invasivas. Existe uma diferença enorme entre perguntar sobre seu histórico de saúde e perguntar sobre sua vida íntima. Quem atende você precisa entender seu estado de saúde atual e não julgar sua vida e decisões.
  • Explica os termos clínicos em linguagem simples. A equipe médica traduz a linguagem técnica em palavras que fazem sentido para você. Se você não entendeu o que foi dito, o problema está na comunicação e não em você.
  • Experiência comprovada. A pessoa conhece saúde trans e busca se atualizar.

Nenhum desses pontos é um bônus. São sinais de preparo prévio da equipe e de que, provavelmente, você terá um atendimento melhor.

A comunidade é uma ótima fonte de informação

Ninguém conhece melhor a realidade do atendimento à saúde trans do que pessoas trans.

Redes on-line de apoio e recomendações de comunidades são ferramentas poderosas. Perguntar para outras pessoas trans sobre as experiências delas pode economizar seu tempo, dinheiro e sofrimento.

Confie na comunidade. Pergunte. Pesquise. Leia relatos. E se você tiver bons atendimentos, compartilhe. Sua recomendação pode mudar a vida de alguém.

Assim como os relatos ruins ajudam a evitar armadilhas, os relatos bons ajudam outras pessoas a encontrar melhores atendimentos.

Respeito não é diferencial. É direito.

É comum ver clínicas anunciando “atendimento humanizado” ou “ambiente acolhedor” como se fosse um serviço extra. É importante evidenciar: respeitar a identidade de uma pessoa trans não é um diferencial. É uma obrigação.

Uso correto de nome e pronomes, atendimento digno e escuta ativa são um direito. Está na Constituição, está nas resoluções do Conselho Federal de Medicina, está nos protocolos do Ministério da Saúde.

O problema é a distância entre a lei e a realidade.

Quando uma equipe ou serviço falha no básico, o problema não está em você. É o sistema que ainda precisa melhorar.

O que fazer se sofrer discriminação em uma consulta?

Mesmo com todos os sinais verdes, você pode cair num atendimento ruim, mas não é preciso tolerar isso. O que fazer?

  1. Priorize sua segurança. Sua segurança vem primeiro. Se sentir desconforto ou risco, você pode interromper a consulta a qualquer momento.

    Passar por uma situação de discriminação é desgastante. Dê espaço para processar o que aconteceu, busque acolhimento e lembre-se: o problema não é você. É o profissional que não está preparado.

  2. Registre. Anote o que aconteceu, com quem, quando e onde. Nomes, datas, falas. Isso pode ser útil se você decidir formalizar uma denúncia.

    Você também pode gravar. Colocar o celular para gravar áudio ou vídeo só é crime se forem conversas de outras pessoas. Você pode tranquilamente gravar uma consulta e deletar depois caso tudo ocorra bem. Mas se tiver algum problema, você já terá uma prova a mais.

  3. Busque apoio e denuncie. A transfobia é crime no Brasil desde 2019, quando o STF equiparou a transfobia ao crime de racismo, diante da ausência de legislação específica.

    Hospitais, clínicas e unidades do SUS têm canais de ouvidoria. No SUS, também existe a Ouvidoria-Geral, acionada pelo Disque Saúde (136). Fazer o registro formal aumenta a chance de responsabilização.

    Médicos respondem ao Conselho Regional de Medicina (CRM), enfermeiros ao Conselho Regional de Enfermagem (COREN) e psicólogos ao Conselho Regional de Psicologia (CRP). Discriminação por identidade de gênero pode configurar infração ética e gerar penalidades que vão de advertência à cassação do registro.

    Procure apoio jurídico especializado oferecido por defensorias públicas, núcleos de diversidade em universidades ou organizações como a ANTRA, caso você queira levar o caso adiante.

  4. Não desista. Existem pessoas sérias, preparadas e comprometidas com a saúde da comunidade trans. Elas existem e merecem ser encontradas.

    Não continue no mesmo atendimento por conta própria. Buscar outro serviço não é desistência, é uma escolha razoável de proteção.

Nenhuma dessas etapas é obrigatória, e cabe a você decidir o que faz sentido para a sua situação. Mas vale saber que elas existem, porque discriminação em atendimento de saúde não deveria ser algo que você aprende a evitar ou a suportar em silêncio.

A Vivuna existe para facilitar o seu atendimento

Cuidados de saúde têm que ser confiáveis, sem discriminação e sem esperas desnecessárias. Não é pedir demais: é o mínimo.

A Vivuna existe para ajudar a população trans, travesti e de gênero diverso a ter mais autonomia e controle sobre a própria saúde. Adotamos um modelo 100% on-line, com uma equipe médica que entende de terapia hormonal e trabalha com consentimento informado.

Quer começar com um serviço que já segue todas essas práticas? Agende sua consulta on-line e comece sua TH com segurança e autonomia.

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